EMACO

Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras


Autor: Eduardo Martins

CORONA VIRUS

A CORONA DA MÃE, E O CORONALHO DO PAI

O revolucionário que com voz de quem tudo come,

bramava: “DE PÉ Ó VÍTIMAS DA FOME!”,

agora grita para nós: “ENCLAUSURADOS DO VIRUS!

 NÃO PONHAM O PÉ LÁ FORA!

NEM AO BICHO DÊEM TIROS!”

Muito pouco então nos resta

senão fingir que “hoje cá em casa há festa!”

nem que seja do “Pijama”,

ou até mesmo do “Roupão”…

seja roncando na cama,

ou arrastando o pé no chão…

Ou vendo a CMTV,

 que repete imensas desgraças, e as revê…

embora esteja a perder o primeiro lugar… o quê???!!!

Sim! A concorrência “Feicebuqueira”

tem arranjado maneira,

de nos animar, não nos contando misérias,

mas mostrando umas pilhérias,

disparatadas Q.B.

para levantar o moral desta vida de clausura, já se vê…

 Termino esta intervenção “Coronária”, citando o Raul Solnado,

ultimamente muito glosado,

às vezes com alguns matizes:

“Se conseguirem… façam favor de ser felizes…”

Eduardo Martins – Carcavelos, 24 de Março de 2020

CORONA RAP

O Corona anda numa fona,

a dar-nos cabo da mona,

e do resto dos corpinhos,

seja em grupo ou sozinhos!

Parece que veio da China e dum morcego,

e não nos deixa em sossego!

Mas há quem diga que veio doutros lados,

ali duns norte americanos unidos estados…

e que se espalhou de uma forma total,

fosse por acaso ou fosse intencional”!

As teorias conspirativas,

são muito imaginativas!

Eu agora junto a derradeira,

e esta é que é de facto verdadeira!

Foi o Fleming! Não o da penicilina,

mas o Ian! Que não tinha nada a ver com medicina,

mas criou o Bond, James Bond,

e está agora, sabe-se lá por onde,

a inventar mais uns agentes do mal,

que criaram um coronavírus fatal,

para darem cabo da população mundial toda!

E para este seres maléficos, o resto que se …

Eduardo Martins – Carcavelos, 26 de Março de 2020

POEMA QUASE ERÓTICO,

(OU SIMPLESMENTE VIRÓTICO?)

Eu andava numa fona,

e nunca mais vinha à tona

a rima que eu queria…

para rimar com CORONA…

À mente só me surgia

aquela da Margarida que ia à fonte

com sapatinhos de lona,

mas que escorregou, partiu a bilha,

e espetou os cacos na testa…

Claro que ainda não foi desta

que a pobre da Margarida,

embora estando ferida,

e alegadamente infectada,

 chegou a ser internada…

nem chegou a ser testada,

e nem sequer foi fadada

para poder ser tratada…

E a rima tão procurada,

nos entrefolhos da mente,

não se sente nem pressente…

ter vontade de subir…

De subir ou de se vir?

De ser vír…us, ou  re…virus…alho?

Quero rimar com… tele trabalho…

Borrifo-me com algum orvalho…

Como bacalhau com alho…

Sinto-me às vezes paspalho…

E eu já estou muito alarmado…

não sei se fico confinado,

e acabo já com o poema,

ou contrariando o decretado,

vou por aí desorientado,

buscando a porta de um talho

para pendurar lá o tema…

Por muito que se imaginasse,

que se pensasse, ponderasse,

desejasse, avaliasse,

avançasse, recuasse,

por muito que eu me desinfectasse,

por muito que eu continuasse

e nunca mais lá chegasse

por fim, disse COVIDASSE!

FINDASSE!!!

Eduardo Martins – Carcavelos, 1 de Abril de 2020

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Com os votos de que todos se encontrem bem, estamos a fazer chegar ao vosso conhecimento a legislação e informação geral que recebemos do Gabinete de Acção e Desenvolvimento Social (Câmara Municipal de Oeiras), com pedido de divulgação:

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Autor: Jorge Castro

Contra o vírus Corona canalha

– destinada ao dia em que a Constituição Portuguesa cumpre
o seu 44º aniversário, reconstruí a letra desta canção, a ser trauteado com a música do hino «Venceremos», do tempo do Salvador Allende, divulgada por cá pelo Samuel, e que poderá,
assim espero, constituir uma breve panaceia para a clausura:

Com a máscara que nos protege 
com o gel de lavar cada mão 
com o rabo sem sair de casa 
lutaremos contra a infecção 

mas se o vírus continuar teimoso 
prolongando a nossa reclusão 
nascerá outro dia radioso 
… nem que seja lá mais para o Verão 

Refrão:  

Venceremos, venceremos 
com as luvas que temos na mão 
venceremos, venceremos 
o Corona filho de um cabrão (bis) 

contra o vírus Corona canalha 
que nos invade de norte a sul 
nesta guerra em que não há metralha 
que não nos falte o sabão azul…  

E depois de passar esta crise
a darmos de alegria pinotes
lembremo-nos de quem mais precise
e cuidemos dos nossos velhotes…

(Espero que o Samuel me perdoe este dislate, mas tanto confinamento não deixa de me provocar perturbações nalguns neurónios…)

E, não nos esqueçamos, para o bem de todos, que a Constituição Portuguesa não está de quarentena! 

Jorge Castro, em 02 de Abril de 2020

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Autora: Fátima Camilo

Cá me vou acantonando
vendo os dias a passar
do quarto para a cozinha
e para a sala de jantar
dou um salto à varanda
ver o que é preciso regar
passo pelo WC
também tenho de aliviar
fico depois no escritório
porque estou a trabalhar
quando chega o fim do dia
lá vou eu desinfectar
puxadores e maçanetas
e o que mais possa tocar
mais a roupa para a máquina
que não pára de lavar
chega a hora das notícias
nada de bom a registar
valha-nos a música grátis
que a TV está a passar
o teatro e bons momentos
é a net a disponbilizar
e com toda esta azáfama
está a noite a chegar
isto é mesmo um sufoco
até já me falta o ar
e passou-se mais um dia
fiquem bem, vou-me deitar!

– Fátima Camilo, em 29-03-2020

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Autor: Eduardo Martins

Boa tarde, 

Faz hoje, segunda feira 30 de Março, (de 2020…)  uma semana que não ponho o pé na rua… e nessa altura foi para ir à farmácia comprar os remédios “vitalícios”, a que me sinto obrigado desde 2016… Enfarte “oblige”…

Entre outras actividades mais prosaicas, tenho lido, dormido, comido, bebido… feito uns jogos no computador, e ontem, Domingo 29 de Março,  por acaso,  vi na TV duas coisas interessantes, por motivos diferentes:

Na RTP3, pelas 13 h, um episódio de “História a História”, em que o Fernando Rosas, falava sobre a “Pneumónica”. Achei curioso comparar o que aconteceu em 1918, com a situação actual, a mais de um século de distância…

Na TVI, pelas 15 h, a gravação dos Concertos de 2016, que o António Zambujo e o Miguel Araújo, deram em 28 sessões nos Coliseus de Lisboa e Porto…

Eu por acaso, tive a sorte de assistir ao 2º Concerto no Coliseu de Lisboa, ainda não se sabia quantos ia haver…

Depois de (re)ver o Concerto, na televisão, lembrei-me que na ocasião tinha escrito um coisita alusiva, que fui procurar…  e que pelos vistos esteve a aboborar durante alguns meses. Não tenho a certeza se na altura foi alguma vez publicada… Aqui vai ela, portanto, agora

destinada à “Quarentena Assintomática” que a EMACO vai “blogando”.

 Mas já agora, se tiverem oportunidade, se quiserem saber mais sobre a “Pneumónica” ouse gostarem de “ouver” os “UJOS”, ponham as “boxes” a fazer marcha atrás, e vejam aqueles programas, , para ajudar a passar o tempo, oh Enclausurados do Vírus…

OS “UJOS”

O António, que é Zambujo,

e o Miguel, que é Araújo,

pegaram nos talentos

que são seus,

e ala! para os Coliseus!

Ali passaram bons momentos,

com pessoas que aos milhares,

encheram todos os lugares,

ouviram conversas e escutaram canções,

(até do Max, a “Rosinha dos Limões”!)

E estes concertos, tipo conversa informal,

mas muito profissional,

somaram muito mais que dezassete,

sempre com o “Pica do Sete”,

e mais outras “Romarias”,

tantas trauteadas melodias…

e “Recantigas”,

umas mais novas,

outras mais antigas…

Até “Baladas Astrais”!

E as “Outras…” que são de mais,

com os seus “Maridos…”,

sempre, sempre, muito queridos…

menos naquele instante,

em que apanhados em “Flagrante”,

vão porta fora de “Lambreta”,

que elas já não suportam tanta peta…

E assim voaram duas horas,

nas “Portas de Santo Antão”

entre palmas sem demoras,

no fim de cada canção,

e sempre a chorar por mais,

“Só mais uma! Só mais uma, vá lá…

Porque para vocês, oh pá!!!

não há mesmo, mesmo pais!!!”…

Eduardo Martins

Iniciado após o Concerto de 18 de Fevereiro de 2016,

Completado a 6 de Outubro de 2016.

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Autor: José Gabriel Duarte

ERA UMA VEZ…

Era uma vez um assassino invisível que passeava pelo Mundo, espalhando o medo e assassinando gente sem olhar a Países, raças, culturas, religiões ou classes sociais.

Mas esse assassino ao mesmo tempo que ia encontrando pela frente guerreiros quase sem armas que lutavam nas frentes de batalha tentando salvar vidas, desconhecia que outros soldados na rectaguarda  tentavam desesperadamente inventar uma nova arma capaz de o rechaçar.

O Mundo apesar de ir ficando cada vez mais doente foi resistindo durante
meses, até que a tal arma foi inventada. O assassino começou então a
enfraquecer até que foi feito prisioneiro.

Ficavam para a história desse período o elevado número de assassinados,  os danos sociais e materiais que a doença provocou, e acima de tudo a glória dos desconhecidos e bravos  heróis que honrosamente o defenderam, muitos deles dando a própria vida.

José Gabriel Duarte, em 29-03-2020

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Autora: Ana Gaspar

Olá! Eu sou a Ana Maria Gaspar, vivo em Oeiras, mas nesta altura fugi de Oeiras. Tenho uma casa numa aldeia no sopé da serra de Montejunto e resolvi vir para cá. Além de ter aqui a viver a família chegada, estou muito menos presa do que se estivesse em Oeiras. Aqui da minha janela vejo a serra de Montejunto e um terreno grande livre de casas e de gente onde os meus olhos não se sentem tão presos como se estivesse no apartamento de Oeiras. Lamento, queridos amigos oeirenses.

Estou em teletrabalho e vou uma vez por semana ao meu serviço em Lisboa. Fizemos uma escala de trabalho onde cada um de nós se desloca apenas uma vez por semana. A mim calhou-me a segunda-feira.

Teria tempo para limpar as flores de ervas daninhas e até de semear e plantar flores, legumes e o mais que fosse, não fora um problema nas articulações do joelho direito que me impede de andar durante algum tempo sem que tenha dores. Até já tinha marcado uma infiltração no joelho numa clínica da CUF que, compreensivelmente, desmarcou e voltou a desmarcar o acto clínico.

Poderia estar melhor, mas há coisas bem piores.

Agora bom, bom é saber que no piso de baixo tenho a família que me pode apoiar e também que o meu cão, o Caramelo, de quase 8 meses se porta agora muito melhor, apesar de continuar a fazer as traquinices próprias de um jovem animal. Agora tem a dona só para ele durante todo o dia e parece outro cão, menos irrequieto e sem necessidade de fazer disparates para chamar a minha atenção, sempre que chegava a casa depois de tantas horas sozinho.

Por isso, posso dizer-vos que estou a apreciar esta nova situação e, posso dizer-vos, que nunca falei/escrevi tanto a tanta gente para saber como cada um está. E todos estão bem, o que é formidável. Espero que vocês também.

Um grande abraço e até um destes dias.

Ana

PS – E faço a proposta à EMACO para – quando for possível – virmos visitar o que resta da Real Fábrica de Gelo, criada por alvará de D. José, precisamente na serra de Montejunto e que abastecia a corte e a cidade de Lisboa.

Ana Gaspar, em 29-03-2020

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Quarentena Assintomática – V


Posted By on Mar 29, 2020

Autora: Maria Lúcia Saraiva

Era uma vez uma Menina

Nem todos os princípios de vida são fáceis e felizes para alguns…

Vou contar uma história começando da forma tradicional:

Era uma vez, uma menina, simplesmente uma menina, com muitos sonhos; muito sensível, uma sonhadora que se sentia muito só, com fantasmas, (próprios da idade), apesar de viver numa numerosa Família…

O seu rosto era marcado por uns olhos negros brilhantes, um nariz arrebitado e perfeito e uma boca bem delineada que poderia expandir-se em sorrisos, mas não, a sua expressividade era de tristeza.

Quando ela ia passar férias na casa de campo, pediu a um dos empregados para lhe fazer um baloiço no imbondeiro, junto ao rio, e aquele lugar, passou a ser o seu refúgio, pensava no «Zezé – do livro Meu Pé de Laranja Lima» -, aquela gigantesca árvore passaria a ser a sua confidente e falava com ela sobre os seus medos e anseios e perguntava-lhe o que fazer, para os ultrapassar, e a resposta vinha nos cânticos e chilreios bem animados da passarada.

Cresceu, fez-se mulher de trato simples, muito meiga e tímida, talvez por isso, todos gostavam dela.

Não precisava de muitos enfeites, para dar nas vistas, porque ela exibia uma postura corporal e uma beleza peculiar.

A sua infância fora de aprendizagem imposta, teve que se dedicar aos bordados, à costura, ao tricot, ao crochet, aos tachos, a arrumação de uma casa e a mesa de refeições tinha que ser posta com todo o rigor e requinte, ainda que fosse a comida mais simples. Uma verdadeira «Dona de Casa».

O seu olhar era triste e já carregava alguma dor de histórias da sua infância mal resolvidas ou impróprias para a sua tenra idade. Ainda assim o seu propósito não se alterou e manteve a determinação em realizar os seus sonhos.

Nas noites carregadas de nuvens negras ela pintava as estrelas no céu, preenchia assim os seus vazios, e afastava as suas inseguranças, que eram muitas, não sabia ainda ao certo como delinear o seu futuro, nos seus verdes anos.

Na sua infância nunca podia ler à noite, porque não a deixavam, não havia luz eléctrica e havia o adormecer obrigatório, no dia seguinte todos acordávamos cedo para irmos para a Escola e Liceu que ficavam longe de casa. Mesmo assim às escondidas acendia o candeeiro de petróleo e ia para a casa de banho ler, pois ficava longe do quarto dos pais….e quantas noites fez isso. Dormia pouco, mas feliz.

Um dia casou, estava enamorada, mas não apaixonada, nem sabia o que era o amor. Pensava que o amor se construía. Eu acredito que sim, quando o casal é cúmplice do mesmo desejo. O facto é que esse casamento não resultou, teve dois filhos, os seus diamantes.

Muito aturou e sofreu, muitas lágrimas verteu, mas deu a ambos boas ferramentas para se imporem no mundo do trabalho e sente-se orgulhosa, com o sucesso dos seus filhos.
Começou a conhecer-se melhor e a questionar-se qual seria o seu papel neste mundo, e o que pensou de certo modo tem vindo a concretizar-se.

Com esse estar assim se impôs no mundo do trabalho sempre bem sucedida. Numa das noites de insónia alguém lhe sussurrou, substitui as dores em alegria, em sorrisos e logo se apressou a mudar de atitude, rapidamente alcançou os seus objectivos.

Então veio a magia presa a um temporal aterrorizador, as árvores gemiam fustigadas pelo vento, levantou-se pegou numa caneta e papel e escreveu sobre o pânico que a assombrava e conseguiu superar o medo que a afrontava e assim o seu maior sonho começou…

Maria Lúcia Saraiva – 2020-03-27

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