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Celebrando o dia da poesia


Posted By on Mar 21, 2021

Acompanhem-nos com um poema alusivo, da autoria de Jorge Castro, e um vídeo que o Grupo ‘Caminhos da Poesia’ do CENCO-Centro Cultural de Oeiras criou para esta efeméride.

um dia como qualquer dia
tenhamos sempre presente
que é criação a poesia
é a palavra liberta
por vontade ou acidente
sob um vento de feição
é a nau à descoberta
com o velame e o leme
ou o sonho mais estreme
que nos traz a língua-mãe
onde campeiam afectos
epopeias e tragédias
gritos-lamentos também
mas também de uma revolta
de amor na palavra à solta
e todo o entretecer de teias
que nos levam mais além
de algum viver comezinho
de algum estar sem sentido
onde vamos sem ter volta
a tolerância do nada
e a intolerância do tudo
onde a vida quase acaba e o viver fica mudo
é o dia de voarmos para fora desse enredo
desse ninho
desse medo
em busca de uma aventura
sendo nós a criação mas também a criatura
no ensaio de uma vida
que é feita de todos nós
onde é cada um poeta
tanto maior essa meta de jamais ficarmos sós
e há-de ser esse o dia
em que nasceu um poeta e deu à luz poesia

  • Jorge Castro
    21 de Março de 2021

Vejam, também, aqui o vídeo alusivo ao Dia da Poesia criado pelo Centro Cultural de Oeiras:

https://1drv.ms/u/s!AnGIv9rwh7gQgWWI-WTNr250Zai_

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Caras e caros associados,

Fazendo votos de que se encontrem de boa saúde e esperando que em breve nos possamos de novo reunir, informamos que a Câmara Municipal de Oeiras está a promover a 2.ª edição do ciclo de conversas online “Ler Olhos nos Olhos” e “Café com letras”, cujo desenvolvimento e conteúdos são responsabilidade de The Book Company.

A Espaço e Memória, tendo sido convidada a associar-se a estes eventos, irá promover e divulgar pelos seus associados a calendarização e informação relevante sobre cada edição.

Todas estas conversas, chegam semanalmente a nossa casa online – por ser de momento a forma possível de todos ficarmos mais próximos da cultura -, à quarta-feira, pelas 21.30h, e são transmitidas no Facebook.
Vai ser possível que todos acompanhem estas edições, em directo e simultâneo através da página de Facebook da nossa associação, no sítio:
https://pt-pt.facebook.com/espacoememoria

Para esta sexta feira teremos
Café com Letras | 19 de março, 21.30

Sessão com Mário Zambujal e moderação de Ana Daniela Soares

Mário Zambujal nasce em 1936 em Moura, mas passa a adolescência no Algarve, onde se faz notar pela disposição alegre e irrequieta. Aos 15 anos, publica um conto no semanário local Os Ridículos, e fica tão satisfeito com a aceitação dos pais que desenvolve a partir daí o gosto pelas letras, passando a escrever crónicas para o Jornal do Algarve. Mais tarde, muda-se para Lisboa e inicia uma carreira como jornalista que o leva a passar por A Bola, Diário de Lisboa, O Século, Diário de Notícias, O Jornal, Tal e Qual, Record, entre outros jornais e revistas, nas mais diversas funções.
Da imprensa escrita passa para a RTP, onde cria, dirige e apresenta diversos programas, entre os quais Domingo Desportivo. Torna-se igualmente responsável pelos guiões de séries humorísticas como Lá Em Casa Tudo Bem, Isto é o Agildo ou Nós, os Ricos. Paralelamente, colabora em programas de rádio como Pão com Manteiga, na Rádio Comercial.
Em 1980, publica o primeiro romance, Crónica dos Bons Malandros, que obtém um enorme sucesso e acaba inclusive por ser adaptada ao cinema por Fernando Lopes, e recentemente em série.
Seguem-se, entre outros, Histórias do Fim da Rua (1983), À Noite Logo Se Vê (1986), Primeiro as Senhoras (2006), Dama de Espadas (2010) e O Diário Oculto de Nora Rute (2013), nos quais mantém uma escrita clara e despretensiosa, marcada pelo bom humor e pela ironia. Pelo meio, é feito Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e eleito presidente do Clube dos Jornalistas.

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Para conhecimento dos nossos associados, damos a conhecer o artigo do jornal Público (https://www.publico.pt/2021/03/12/ciencia/noticia/miguel-magalhaes-ramalho-19372021-guardiao-patrimonios-1954062), de 12 de Março de 2021, com texto da autoria de Teresa Firmino sobre o eminente geólogo Miguel Magalhães Ramalho:

GEÓLOGO
Miguel Magalhães Ramalho
(1937-2021), guardião de patrimónios

O geólogo tinha grande amor ao Museu Geológico de Lisboa, de que foi director desde 2007, mantendo-se a coordená-lo depois da aposentação. Neste museu do século XIX guardam-se colecções preciosas de geologia, paleontologia e arqueologia pré-histórica. O seu futuro preocupa agora os mais próximos de Miguel Magalhães Ramalho.
Teresa Firmino

O geólogo Miguel Magalhães Ramalho, de MARIA DE MAGALHÃES RAMALHO

O director do Museu Geológico de Lisboa, Miguel Magalhães Ramalho, morreu na segunda-feira, aos 83 anos, em Lisboa. O velório realizou-se na quarta-feira, em Cascais, e a cremação foi esta quinta-feira só para a família. O geólogo empenhou-se na divulgação e valorização do património geológico, científico, cultural e ambiental.
Entre inúmeros exemplos de defesa do património geológico (e para lá dele), pode recordar-se que Miguel Magalhães Ramalho não descansou enquanto não regressaram a Portugal, o país de origem, fósseis mamíferos primitivos (https://www.publico.pt/2007/05/31/ciencia/noticia/fosseis-de-mamiferos-primitivos-regressaram-para-os-portugueses-1295510) de relevância mundial.
Estes fósseis de 150 milhões de anos, do Jurássico Superior, tinham sido recolhidos na mina da Guimarota (https://www.publico.pt/2007/05/31/jornal/a-historia–de-uma-mina-de-carvao-216929), perto de Leiria. Os primeiros foram levados para a Alemanha na década de 1960, pela equipa do paleontólogo que os descobriu. No início de 2007, chegava finalmente a Portugal a primeira leva e, meses depois, vinham alguns dos fósseis de mamíferos mais importantes (e frágeis) da Guimarota, trazidos pessoalmente por um paleontólogo alemão, Thomas Martin.
O regresso dos mamíferos da Guimarota (https://www.publico.pt/2007/05/31/ciencia/noticia/fosseis-de-mamiferos-primitivosregressaram-para-os-portugueses-1295510), noticiávamos então, não tinha surgido do nada. “Há dez anos, o geólogo Miguel Ramalho, director do Museu Geológico, começou os contactos para que os fósseis voltassem para Portugal. Como aliás tinha sido acordado, tanto que nos anos 60 ou 70 ainda regressaram alguns”, lê-se nessa notícia do PÚBLICO de 2007, ano em que Magalhães Ramalho passou a dirigir o Museu Geológico de Lisboa.

Um dos fósseis de mamíferos devolvidos a Portugal JOÃO CORTESÃO/NFACTOS

“Nos últimos três anos, retomei os contactos. Thomas Martin respondeu-me a dizer que não havia problema”, contava-nos então Miguel Ramalho. “Compreendo que, ao fim de tanto tempo, o meu colega Miguel Ramalho e o museu queiram ter os fósseis aqui, no país de origem”, dizia, por sua vez, o paleontólogo alemão.
É este “empenhado esforço” de Miguel Magalhães Ramalho na defesa do museu, instalado no segundo piso do antigo Convento de Jesus, onde se encontra também a Academia de Ciências de Lisboa, que é destacado pela irmã do geólogo, Margarida Ramalho, coordenadora científica do Museu de Vilar Formoso. Citada pela agência Lusa, acrescenta que espera que o museu “continue a sua missão com as características que tem, que é um laboratório de estudo”, uma vez que as suas colecções despertam interesse aos investigadores estrangeiros (https://www.publico.pt/2007/10/17/jornal/um-novo-dinossauro-descoberto-no-museu-234008). “O amor que ele dedicou ao museu! Dedicou-lhe a vida quase toda”, comenta ao PÚBLICO Margarida Ramalho.
Em Janeiro de 2016, Miguel Magalhães Ramalho lamentava, em entrevista à Lusa, que a instituição que dirigia se encontrasse “esquecida dos poderes públicos, que até a quiseram fazer desaparecer”: “Houve várias tentativas de fazer desaparecer o museu por parte de entidades públicas responsáveis pela educação e a cultura.”

O Museu Geológico de Lisboa ENRIC VIVES-RUBIO/ARQUIVO

O geólogo, que trabalhava “pro-bono”, salientava a importância da geologia em áreas como o ordenamento do território, o reconhecimento de recursos minerais, nomeadamente de fontes de água, e referia o debate actual sobre o aquecimento global, tendo considerado “essencial” conhecer “a terra que pisamos”.
O Museu Geológico de Lisboa detém colecções únicas no país (https://www.publico.pt/2007/10/17/jornal/um-novo-dinossaurodescoberto-no-museu-234008), tendo expostas mais de 4000 peças respeitantes às colecções de (http://www.publico.pt/2007/05/31/ciencia/noticia/fosseis-de-mamiferos-primitivos-regressaram-para-os-portugueses-1295510) paleontologia (https://www.publico.pt/2007/05/31/ciencia/noticia/fosseis-de-mamiferos-primitivos-regressaram-para-osportugueses-1295510), geologia e arqueologia pré-histórica. Tem a segunda mais importante colecção na área da pré-história, logo a seguir ao Museu Nacional de Arqueologia. Outra das suas colecções valiosas é a de fósseis de dinossauros. Fundado em 1859, é um dos museus mais antigos da Europa.
Entre as 4000 peças expostas, há 27 que se encontram assinaladas como “maravilhas” (https://www.publico.pt/2009/10/27/jornal/das-trilobites-as-chamines-submarinas-nomuseu-geologico-18095629), que são as mais emblemáticas da instituição. Porquê 27? “Fui seleccionado peças e 27 é um número tão bom como outro qualquer”, respondia ao PÚBLICO Miguel Magalhães Ramalho quando, em 2009, era inaugurada uma exposição com 27 maravilhas das colecções do Museu
Geológico de Lisboa, onde se incluía o exemplar de um dinossauro ou o esqueleto de um cão doméstico
(https://www.publico.pt/2011/08/08/jornal/o-cao-mais-velho-de-portugal-foi-descoberto-numa-gaveta-de-museu-22546557) (de Muge, Salvaterra de Magos) já datado com cerca de oito mil anos. “O objectivo é que as pessoas vejam com mais atenção o que está no museu”, dizia.
“‘Um museu que ensina’ é o nosso lema”, como resumia há cinco anos à Lusa. O museu foi fundado por um dos pioneiros da geologia portuguesa (https://www.lneg.pt/MuseuGeologico/), Carlos Ribeiro (1813-1882), no âmbito da criação da Comissão Geológica do Reino. “Somos um museu pouco conhecido, que recebe mais elogios dos visitantes estrangeiros do que visitas de nacionais”, lamentava ainda.
A irmã do geólogo manifesta preocupação pelo futuro do museu, que em 2010 foi classificado como “imóvel de interesse público”, dado o valor científico das suas colecções e da museografia oitocentista. “O que vai acontecer ao museu? Essa é uma grande dúvida, a grande preocupação. Como historiadora, fui testemunhando a ignorância dos poderes públicos para a preciosidade do Museu Geológico”, diz Margarida Ramalho. “Vários investigadores estrangeiros dizem que é um museu dos museus e ficam deslumbrados.”
Da geologia à micropaleontologia
Nascido a 23 de Maio de 1937 em Lisboa, Miguel Magalhães Ramalho licenciou-se em Ciências Geológicas, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa em 1959, onde foi professor assistente entre 1959 e 1961.
Em 1965, depois de cumprido o serviço militar, fez vários estágios com investigadores na área da paleontologia em laboratórios franceses, graças a bolsas de estudos do Instituto de Alta Cultura e da Fundação Calouste Gulbenkian. No Laboratório de
Micropaleontologia da Universidade Pierre e Marie-Curie (em Paris) trabalhou sob orientação de Jean Cuvillier, obtendo o diploma de estudos avançados em micropaleontologia em 1966, segundo um texto de Ana Cristina Azerêdo, do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), que se licenciou, doutorou e trabalhou vários anos com Magalhães Ramalho. E, na Sociedade Nacional de Petróleo da Aquitânia – Centro de Investigação em Pau, dedicou-se a estudos de microfácies sob a orientação de R. Deloffre.
“As suas estadas em França permitiram-lhe trabalhar com diversos investigadores de vários laboratórios de micropaleontologia”, lê-se ainda no texto de Ana Cristina Azerêdo, divulgado no site da FCUL. “A maior parte da sua tese de doutoramento, sob o título ‘Estudo micropaleontológico e estratigráfico do Jurássico Superior e Cretácico Inferior dos arredores de Lisboa’, foi preparada no Laboratório de Micropaleontologia da Universidade Pierre e Marie-Curie. Apresentou-a em 1972, na Universidade de Lisboa, a um júri onde constava a sua orientadora daquele laboratório.”
Em 1978, apresentou provas de agregação em Ciências Geológicas na FCUL, onde foi professor catedrático convidado a tempo parcial.
O seu trabalho como geólogo decorreu principalmente nos Serviços Geológicos de Portugal (SGP), da ex-direcção-geral de Minas e Serviços Geológicos, e nas instituições que se lhes seguiram, como o Instituto Geológico e Mineiro (IGM). De 1978 a 1992, foi director do Serviço de Cartografia Geológica. De 1993-2003, foi vice-presidente do IGM, responsável pela Área Geológica, ficando com o pelouro dos Núcleos da Biblioteca e Publicações, da Litoteca e do Museu Geológico de Lisboa. Entre 2003 e 2007, foi o coordenador do Departamento de Geologia, Litoteca e Museu Geológico. A partir de 2007 dedicou-se então essencialmente ao Museu Geológico, que passou a dirigir, refere Ana Cristina Azerêdo.

O geólogo em Julho de 2001 MIGUEL MADEIRA/ARQUIVO

“Ao longo desses anos, promoveu e contribuiu para a realização de programas e projectos de investigação e de cartografia geológica sistemática do país, o relançamento de diversas actividades, o reapetrechamento dos laboratórios e melhoria das condições de trabalho, o incremento da colaboração com diversas universidades portuguesas e outras instituições nacionais e estrangeiras”, salienta Ana Cristina Azerêdo.
Quanto à sua actividade de investigação científica propriamente dita, consistiu na maior parte em estudos micropaleontológicos – “sobretudo de foraminíferos bentónicos e de algas calcárias e análise de microfácies, em formações carbonatadas e mistas do Jurássico Superior e do Cretácico Inferior de Portugal”, explica a investigadora da FCUL.
Esta linha de investigação – cujos dados foram utilizados por empresas de pesquisa petrolífera a actuar no país – serviu também de apoio à cartografia e à definição estratigráfica das unidades representadas nas cartas geológicas relativas ao Mesozóico do Algarve e da Bacia Lusitânica, destaca ainda Ana Cristina Azerêdo. “Estudou muitas sondagens relacionadas com a actividade das companhias petrolíferas. Os seus estudos e interesses científicos abrangeram também a paleoecologia e a paleontologia, em geral, e a interpretação de paleoambientes sedimentares marinhos.”
É autor de mais de uma centena de publicações, de que damos apenas como exemplo a definição de três géneros e 13 espécies novos para a ciência.
Um ambientalista
“O litoral do país viria a ser uma das suas mais constantes batalhas enquanto defensor do património geológico e do ordenamento do território”, realça também Ana Cristina Azerêdo. Dedicou muito do seu tempo a causas ambientalistas e de cidadania. Por exemplo, de 1985 a 1987, foi sócio-fundador e presidente da Associação Portuguesa de Geólogos. De 1988 a 1992, foi presidente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN). Fez parte da direcção do grupo português da ProGeo – Associação Europeia para a Conservação do Património Geológico.
Em prol da valorização e salvaguarda do património geológico, promoveu trabalhos de natureza científica no IGM, como cartas geológicas das áreas protegidas e bases de dados de geossítios, em colaboração com as universidades. Participou em acções de divulgação (palestras e excursões) e grupos de trabalho ou escreveu artigos de opinião nos media
(https://www.publico.pt/2019/09/06/ciencia/opiniao/terra-homem-1885574). Promoveu visitas de trabalho a Portugal de especialistas internacionais da área de estratigrafia e paleontologia. Parte das colecções do Museu Geológico
(https://www.publico.pt/2012/10/20/jornal/crocodilos-freiras-poetas-e-indios–a-historia-de-lisboa-ao-descer-uma-rua-25410344) voltou a ser estudada e actualizada graças a esses contactos internacionais (http://Os mamíferos atiraram-se ao ar há 160 milhões de anos e… começaram a planar).
“No Museu Geológico, presente desde sempre no seu coração e na sua atenção, de forma mais acentuada após a aposentação, promoveu e contribuiu para trabalhos de inventariação das colecções científicas”, frisa Ana Cristina Azerêdo. Além disso, procurou melhorar as condições expositivas das peças, divulgar o acervo do museu e as suas potencialidades didácticas e científicas, bem como e aprofundar as relações com unidades de investigação portuguesas e estrangeiras.

Museu Geológico de Lisboa ENRIC VIVES-RUBIO

Em relação ao ambiente, a investigadora menciona que muitas foram as contribuições de Miguel Magalhães Ramalho, tendo sido, por exemplo, um dos autores do Livro Branco do Ambiente (1991). Pelo empenho na defesa do ambiente, a Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA) atribuiu-lhe, em 2011, o Prémio Carreira da CPADA.
Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a morte do geólogo em nota divulgada no site da Presidência da República, comiserando-o uma “figura maior da geologia” portuguesa. “Ao longo da sua vida, Miguel Ramalho destacou-se também como empenhado defensor das questões da conservação da natureza, nomeadamente relativas ao património geológico de Portugal”, referiu. Também Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, expressou pesar pela morte do geólogo, “a quem tanto devemos na divulgação e valorização do património geológico do país”, evocando igualmente “o seu importante papel no movimento conservacionista e ambientalista, de que era uma das figuras mais admiradas”.
Várias têm sido as mensagens de evocação a Miguel Magalhães Ramalho deixadas num grupo de discussão online de arqueologia. “Além do grande geólogo, estratígrafo e paleontólogo que foi, pioneiro dos estudos de micropaleontologia em Portugal, tive oportunidade de testemunhar o amor sereno, firme e incondicional que ele dedicava às causas em que acreditava, à frente das quais estava o seu querido Museu Geológico. Os anos passaram, os governantes mudaram, os interesses também, mas Miguel Ramalho, não”, escreve João Luís Cardoso, vice-reitor da Universidade Aberta. O museu era “naquele porto seguro, onde todos eram bem-vindos, recebidos sempre com um sorriso cordial, contente dos que ali acorriam para estudar as colecções portentosas que ele foi sempre o primeiro a defender, com serenidade, mas sempre animado de uma determinação ditada pela razão, para poder colocá-las à disposição de todos”, acrescenta o arqueólogo.
Já o arqueólogo Luís Raposo (https://www.publico.pt/2021/01/05/culturaipsilon/opiniao/museus-mundo-ai-vem-1944501), presidente para a Europa do Conselho Internacional de Museus (ICOM), evoca o homem lutador. “Um homem de um só parecer, um só rosto, uma só fé, de antes quebrar que torcer. Admirava-o imenso e várias vezes recebi dele o suplemento de alma que as nossas lutas requerem.” Lembra que “um homem de corpo inteiro partiu”: “Saibamos honrá-lo, continuando a luta por um mundo melhor, respeitador das pequenas e das grandes coisas, da natureza e da memória.”
Para Ana Cristina Azerêdo, a morte de Miguel Magalhães Ramalho “deixa um imenso vazio não só na sua área de investigação, mas, sobretudo, no Museu Geológico”. O seu último projecto passou pela reconstituição de um dinossauro inteiro em posição de vida, o estegossauro Miragaia longicollum (https://www.publico.pt/2018/02/09/ciencia/noticia/bemvindos-ao-dino-parque-aquiestao-os-dinossauros-que-ja-viveram-em-portugal-1802502), cujo fóssil integra as colecções do museu, para uma exposição que a pandemia da covid-19 veio adiar.

VEJA TAMBÉM: MUSEU GEOLÓGICO DE PORTUGAL

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Com a devida vénia e por ser do maior interesse, transcrevemos a notícia divulgada por OLHARES DE LISBOA (https://olharesdelisboa.pt/camara-de-oeiras-ja-e-dona-do-convento-da-cartuxa/) referente ao envolvimento da Câmara Municipal de Oeiras na recuperação do Convento da Cartuxa.

Será de relembrar, a este propósito, o empenho também da Espaço e Memória na chamada de atenção para a Cartuxa e a necessidade da sua preservação e valorização patrimonial e de seu estudo histórico e artístico, patente no Colóquio e iniciativas realizadas por ocasião dos 400 anos da Cartuxa de Laveiras (em 2014) e os estudos publicados no n.º 2 da nossa Revista – que relembraremos aqui, a breve trecho.

Eis o artigo:

«O antigo convento em Caxias vai ser transformado em centro de arte contemporânea, com residências para artistas, anunciou o presidente da Câmara de Oeiras, durante a cerimónia de cedência do convento da Cartuxa. A ministra da Justiça considerou que este ato é exemplar da coordenação entre o poder central e local.
Finalmente, após vários anos em que a Câmara Municipal de Oeiras tem manifestado, reiterada e sucessivamente, a sua preocupação pelo estado de degradação e abandono em que se encontra o conjunto edificado da Igreja, Convento da Cartuxa e construções dependentes, bem como das suas áreas verdes, foi hoje assinado o protocolo de cedência deste património histórico à Câmara de Oeiras.
De facto, a assinatura do auto de cedência aconteceu esta manhã na Igreja da Cartuxa, em Caxias, com a presença da Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem. Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, que aproveitou a presença de uma ministra para dizer que as Câmaras são capazes de gerir o património do Estado, anunciou que o Município vai investir cerca de 7,5 milhões de euros na recuperação integral daquele património abandonado pelo Estado há 30 anos.

A Câmara de Oeiras, recorde-se, chegou a acordo com Estado, em meados de dezembro, para reabilitar o Convento da Cartuxa, numa concessão de 42 anos e um investimento que ronda os 7,5 milhões de euros. O objetivo é dar a dignidade merecida àquele conjunto patrimonial histórico e colocá-lo à fruição pública.
Apontando esta quarta-feira como «um dia de júbilo», porque a Câmara de Oeiras já tem oficialmente as chaves do antigo convento e da quinta, e elogiando Francisca Van Dunem por ter tomado este «ato político de extrema relevância», Isaltino Morais considerou que «não é admissível que este património tenha estado aqui abandonado durante 30 anos».

O acordo agora assinado entre a câmara, a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças e o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos de Justiça prevê a transferência dos 12,4 hectares da antiga Cartuxa para o município por um período de 42 anos, o que levou o autarca a questionar a ministra. «Porque é que não é sem prazo?», insurgiu-se Isaltino, salientando que «isto diz muito da organização do Estado. Ainda há alguma desconfiança do Estado central em relação ao Estado local».

A ministra, que tomou a palavra a seguir ao autarca, fez questão de salientar que «o processo agora selado é exemplar da coordenação virtuosa entre o poder central e local», balizando as responsabilidades futuras: «Fica nas mãos da autarquia a que V. Exa. preside este lugar, que foi e é um lugar de culto, de revolução educativa, de cultura. Que a Câmara de Oeiras cultive e desenvolva este espaço como o espaço merece.»
A ministra lembrou que o antigo convento ficou abandonado a seguir à expulsão das ordens religiosas, em 1834, e que durante o século XX foi sobretudo usado como reformatório, onde se promoveu «uma revolução educativa» que deixou marcas no sistema penal português, salientando que o responsável, a partir de 1903, pela antiga Escola de Correção de Caxias, instalada no Convento, o padre António de Oliveira, foi um dos pais da «lei da proteção de menores», que deu origem ao atual Tribunal de Menores.

O Convento da Cartuxa em Oeiras e o de Évora são os únicos conventos cartuxos portugueses. O que fica no concelho, foi fundado no séc. XVII. O primeiro templo terá sido destruído quando foi feita a ampliação do convento em 1736. A igreja, com fachada de calcário, abre para uma missa aos domingos ao meio-dia.
Com mais de 400 anos de história, o Convento da Cartuxa está devoluto há vários anos, à exceção da igreja desenhada por Carlos Mardel no século XVIII, lamentou a ministra Francisca Van Dunem, adiantando que esta Quinta «constitui um importante património histórico, cultural, arquitetónico e paisagístico, de valor inestimável».
A Quinta da Cartuxa, refira-se, está localizada nas proximidades do Palácio da Quinta Real, em Caxias, e dela fazem parte o conjunto edificado do século XVII, que corresponde ao antigo Convento, Igreja, Claustro e dependências.

Ato de cultura


Do ponto de vista do presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, o acordo hoje firmado traduz-se num «ato de Cultura da maior relevância e que diz respeito a todo o país», porque é garante de que vamos cuidar para transportar este legado, esta História e esta Cultura para as próximas gerações», justificou.

Para o autarca, representa também um «ato político de extrema importância» e que permite «tirar algumas lições», nomeadamente sobre o Estado Central.
«Há que desburocratizar. É inadmissível que este património estivesse aqui abandonado por 30 anos», sustentou Isaltino Morais, lamentando que o Estado tenha deixado esquecer este património, mas reconhecendo este ato positivo, com elogios à Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, que marcou presença na cerimónia.
Além do investimento na recuperação do património, o projeto previsto na reabilitação da Quinta da Cartuxa prevê a criação de um Centro de Arte Contemporânea, com um programa de atividades ligadas à Arte e que inclui uma residência para artistas. A pensar na candidatura de Oeiras a Capital Europeia da Cultura 2027, o antigo convento e as muitas dependências construídas ao longo dos anos servirão de casa a uma companhia de dança, terão auditórios e espaços multiusos, servirão para residências artísticas, exposições e espetáculos.

Obras no valor de 7,5 milhões

Os primeiros trabalhos têm um orçamento a rondar os 7,5 milhões de euros e destinam-se a recuperar o património edificado, quer a igreja setecentista desenhada por Carlos Mardel, quer as antigas celas conventuais e os dois claustros. Segue-se depois a sua transformação em pólo cultural, o que deverá ocorrer no prazo de quatro anos.
O presidente da Câmara Municipal de Oeiras associou ainda o momento de hoje à aquisição da Estação Agronómica, também cedido pelo Estado ao Município há pouco mais de um ano, como «alavancas determinantes» na candidatura de Oeiras a Capital Europeia da Cultura em 2027.

«Não sei se vamos ganhar, mas não tenho dúvidas que, agora com a posse da Quinta da Cartuxa e da Estação Agronómica, vamos ter a melhor candidatura do país», concluiu.Em dezembro de 2019, a autarquia tinha avançado que já haveria três propostas para uma concessão de 50 anos do Paço Real de Caxias. O Grupo Hotéis Turim ganhou a corrida e vai agora construir um hotel com 120 quartos, ficando a autarquia de Oeiras responsável pela manutenção e conservação do jardim, bem como da cascata e esculturas.
A assinatura deste Auto de Devolução e Cedência do Convento surge na sequência do interesse manifestado pelo município, que pretende utilizar o património para prolongar a zona de fruição pública que abrange os jardins adjacentes à Quinta Real de Caxias.

Com efeito, o Ministério da Justiça, em articulação com o Ministério das Finanças, «desenvolveram as diligências necessárias à definição das condições que vieram a consubstanciar-se no acordo agora celebrado, e nos termos do qual o conjunto patrimonial localizado na Quinta da Cartuxa é devolvido pelo Ministério da Justiça ao Estado e subsequentemente cedido ao Município de Oeiras pelo prazo de 42 anos», pode ainda ler-se.

De salientar que esta cedência, autorizada pelo Ministério das Finanças, tem como contrapartida a obrigação de realização pelo município de obras de requalificação e restauro, no valor de cerca de 7 milhões de euros. No final daquele prazo, o imóvel e todas as construções e benfeitorias revertem para o Estado.»

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Confinados que estamos, um passeio/exercício permite-se, para oxigenação física e mental. Venham, então, daí numa breve caminhada pela Estação Agronómica Nacional, em Oeiras, um pulmão/reduto que muito nos apraz percorrer… e onde mil ideias para outros tantos projectos nos são suscitados pela paisagem envolvente.

Um breve apontamento, apenas, das imensas potencialidades que este local nos desvenda e suscita.

Votos de boa saúde para todos.

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