EMACO

Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras


Da Máscara como Memória


Posted By on Jul 11, 2020

Texto e recolha de imagem da autoria de Guilherme Cardoso

Das máscaras de todos os tempos e de todos os tipos: teatrais, funerárias, apotropaicas e de festividades.

Plínio (23 d.C. – 79 d.C.) referia-se aos retratos de família nos seguintes termos:

«Nos átrios dos nossos ancestrais era diferente; os retratos eram os objectos apresentados para serem observados, não eram estátuas de artistas estrangeiros, nem bronzes ou mármores, mas modelos em cera dos rostos que eram colocados cada um numa prateleira diferente para fornecer as máscaras que eram usadas na procissão feita durante um funeral de um membro da família, e sempre que um familiar falecia todos os membros que existiram da gens estavam presentes. As linhagens eram também traçadas com fios de corda que ligavam os vários retratos pintados. Nas salas de arquivo guardavam-se livros com registos e com os memoriais escritos das suas carreiras oficiais (…)»

Plínio, HN, IX, XXXIII-XXXV

Ainda segundo Plínio, na Grécia Na Grécia «Não era costume fazer efígies de seres humanos a não ser que eles merecessem uma comemoração duradoura por alguma razão distinta, estando em primeiro lugar a vitória nos jogos sagrados e particularmente os de Olímpia, onde havia o costume de dedicar estátuas a todos aqueles que haviam ganho uma competição; essas estátuas no caso daqueles que aí haviam ganho três vezes, eram modeladas à exacta semelhança dos vencedores – recebendo o nome de iconicae [εικωυ,εικωυικος], estátuas retrato. Antes acredito que as primeiras estátuas retrato oficialmente erigidas em Atenas foram as dos tiranicidas Harmodius e Aristogeiton».

PLÍNIO, HN, Livro XXXIV (IX, 16-17)

Máscara romana em terracota da villa romana do Alto do Cidreira

Fotografia Guilherme Cardoso

https://www.cascais.pt/galeria-de-imagens/mascara-romana-em-terracota-da-villa-romana-do-alto-do-cidreira

Guilherme Cardoso, 02-07-2020 (https://www.facebook.com/guilherme.cardoso1?epa=SEARCH_BOX)

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Sepulturas Rupestres de Cascais


Posted By on Jul 10, 2020

Texto e recolha de imagens da autoria de Guilherme Cardoso

Quenena um mundo rural de raízes arcaicas

Já lá vão os longínquos anos de 1966 e 1967. O existencialismo corria-nos nas veias fervilhando o sangue adolescente.
À noite sentados sobre uma rocha, com o feitio de um banco, que dominava todo o vale da ribeira da Caneira, perscrutávamos o céu estrelado, onde devido ao afastamento das habitações e da luz emanada dos candeeiros de iluminação pública era possível apreciar todo um Universo estrelado que nos dizia quão pequenos somos para tanta grandeza.
Procurávamos encontrar, como todos com essa idade procuram, a razão do ser, do existir sem nunca encontrar respostas que completem esta eterna questão do foro da metafisica.
Foi em 1972 que nos iniciámos em arqueologia. A espeleologia e a geologia tinham-nos despertado a atenção para outra realidade que eram os vestígios humanos do passado.
Visitámos em determinado dia a sala de Arqueologia do Museu Conde de Castro Guimarães, em Cascais, olhando fixamente os artefactos pré-históricos contidos nas vitrinas de modo a decorar o aspecto do sílex e das cerâmicas. Depois saímos para a primeira prospecção arqueológica para ver se encontrávamos algo.
O local escolhido e que sempre nos deixou muitas interrogações foi exactamente aquele sítio na margem esquerda da ribeira da Caneira, a sul de Alcabideche, onde recolhi, então, lascas de sílex e fragmentos de cerâmica.
Só no ano seguinte consegui entender o que era aquele “banco” onde tantas vezes nos sentáramos. Uma sepultura rupestre medieval.
Junto a ela o antropólogo Francisco de Paula e Oliveira, em 1880, registou a presença de uma lagareta (tina escavada na rocha local que teria a função de lagar ou outra). Mais tarde, na segunda década do século XX, Félix Alves Pereira voltou a relocalizar a mesma lagareta mas já se encontrava degradada.
Ambos deixaram escrito que a referida lagareta ficava no Casal do Geraldo, que era no lado norte do actual bairro de Santo António do Estoril.
Procurámos encontrá-la durante anos mas nunca conseguimos. Desaparecera, possivelmente devido a ter existido naquele local uma exploração de saibro aproveitando o afloramento de arenito onde estavam abertas a lagareta e a sepultura.
Não sabemos a razão mas nenhum destes arqueólogos referiu a sepultura rupestre do Casal do Geraldo. Fizeram-no num noutro caso, a sepultura rupestre de Zabrizes, a sul de Bicesse e que lá continua inserida no jardim da urbanização construída nos inícios do século XXI.
A sepultura rupestre do Casal do Geraldo desapareceu na urbanização que fizeram durante a década de 80, naquele sítio. Parte daquela tumba ficou no interior da habitação e a outra no corredor de acesso às traseiras da casa.
Este tipo de sepultura pode aparecer isolada ou em grupo, caso do conjunto existente na igreja do Senhor da Boa Morte, em Vila Franca de Xira.
Os dados conhecidos para o Casal do Geraldo apontam para ter existido mais sepulturas nas redondezas mas abertas em covacho. No caso de Zabrizes tanto Paula e Oliveira como Félix Alves Pereira fizeram escavações e no lado nascente encontraram um grande cemitério mas que não conseguiram datar por não ter qualquer espólio. A Associação Cultural de Cascais também por lá escavou um casal de época Islâmica, nos inícios deste século.
As datas propostas para este tipo de tumba, por diversos arqueólogos, é que foram abertas na rocha entre os séculos IX e o XII o que nos leva a sugerir que estamos em presença de monumentos funerários moçárabes (cristãos sob o domínio Islâmico da Península).

Guilherme Cardoso. 07/07/2020. (https://www.facebook.com/guilherme.cardoso1?epa=SEARCH_BOX)

Sepultura rupestre de Zabrizes – Bicesse, Alcabideche
Sepultura rupestre Casal do Geraldo – Bairro Santo António Estoril
Sepultura rupestre do Casal do Geraldo – Bairro Santo António, Estoril.

 

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Caras e caros Associados e Amigos da Espaço e Memória,

Por razões que são sobejamente conhecidas, lamentamos informar de que a visita que organizámos todos os anos ao Farol do Bugio, em 2020 não poderá ser realizada.

A complexidade logística para boa conformidade com as obrigatórias regras de segurança em vigor, seja da viagem como do acesso ao interior das instalações da fortificação, inviabiliza a possibilidade de efectivação desta nossa iniciativa.

Pedimos o favor de transmitirem esta informação a todos os eventuais interessados que sejam do vosso conhecimento.

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Por amabilidade de José Meco, também co-autor do livro em título, e da Câmara Municipal de Monforte, disponibilizamos para os interessados esta publicação, da qual respigamos da sua nota introdutória as seguintes informações complementares:

Este pequeno livro reúne os textos de quatro comunicações apresentadas no Congresso Internacional do Espírito Santo, Coimbra, Junho de 2016

  • SERRÃO, Vitor e SILVA, J. I. Militão, O Convento do Bom Jesus de Monforte. As desaparecidas pinturas de brutesco da igreja
  • CIDRAES, M. Lourdes, Os painéis da Rainha Santa Isabel do Convento do Bom Jesus de Monforte. Um singular programa iconográfico
  • MECO, José, A autoria dos azulejos do Convento do Bom Jesus de Monforte
  • MORGADO, Paula, Montagem e inventariação dos painéis de azulejo do Convento do Bom Jesus de Monforte

Estas comunicações constituíram a primeira apresentação pública do projecto promovido pela Câmara Municipal de Monforte de inventariação, montagem e instalação dos painéis de azulejo figurativo (c. 1748) que revestiam a igreja do Convento do Bom Jesus de Monforte, demolida em 1945/46, projecto desenvolvido pela Câmara Municipal em parceria com a Santa Casa da Misericórdia da mesma vila, proprietária do espólio e com o CLEPUL/GITPP e o ARTIS/IHA, centros de investigação da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

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Terá lugar já no próximo dia 20 de Junho, pelas 12h30, na Bataria da Lage (Associação dos Comandos), em Paço de Arcos, o nosso primeiro almoço-convívio pós-confinamento.

Como seria de esperar, as inscrições, já de si limitadas para bom cumprimento das normas da DGS e salvaguarda dos participantes, encontram-se esgotadíssimas.

Aproveitaremos, entretanto, para apresentar e aceitar propostas dos nossos associados para o relançamento da nossa programação de actividades para o ano de 2020.

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Damos aqui, nesta 40ª participação, da autoria de Fátima Camilo, encerramento a este projecto, congratulando-nos pela participação verificada, por parte dos nossos associados. É nossa intenção sedimentar estes textos em livro a publicar brevemente.

Santo António confinado


Santo António veio à janela
saber novas da pandemia
já se vai desconfinando
mas não tanto como ele queria

Cancelaram-lhe o arraial
e as marchas na avenida
vai tudo ficar confinado
Raios partam esta vida

Em casa faltam-lhe as brasas
para ir assando a sardinha
lá as vai pondo na chapa
e bebendo uma pinguinha

Na hora de ir para a mesa
Estava meio atenazado
faltava-lhe o caldo verde
Com a rodela do afamado

Meio triste com tudo isto
O que lhe veio à memória?
As pobrezitas das noivas
e a sua festa simplória

E à margem de tudo isto
está o grande manjerico
que não larga a alcachofra
muito menos o namorico

Para o ano vai ser bonito
se tudo for a dobrar
é começar por uma festa
até à última acabar

Fátima Camilo – 13.06.2020

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