
É com profundo pesar e tristeza que comunicamos o falecimento de Júlio Conrado Martins Custódio, sócio honorário da nossa Associação.
A Direcção da Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras, em nome de todos os seus associados apresenta as mais sentidas condolências à esposa, filhas, restante família e amigos pela partida deste nosso Amigo.
Júlio Conrado nasceu em Olhão em 1936, vivendo no concelho de Cascais desde os três anos.
Romancista, poeta, dramaturgo, crítico literário. Foi funcionário da Câmara de Municipal de Cascais, bancário e Director-Executivo da Fundação D. Luís I.
Publicou o seu primeiro livro (contos) em 1963 e o primeiro ensaio literário na imprensa de âmbito nacional em 1965 (Diário de Lisboa).
Tem colaboração dispersa por Jornal de Notícias, Diário de Lisboa, O Século, A Capital e República. Colaborações nas revistas de cultura Latitudes, Paris, e Rua Larga, da Reitoria da Faculdade de Letras de Coimbra, A Página da Educação, Porto, revista O Escritor, da Associação Portuguesa de Escritores e na revista on line Triplov. Durante vários anos assegurou o balanço literário no Jornal O Século. Exerceu crítica literária na Vida Mundial, no Diário Popular, no Jornal de Letras e na revista Colóquio Letras. Em 1964 fez parte da equipa fundadora do Jornal da Costa do Sol, jornal de que viria a ser director, a convite do seu amigo Jorge Miranda, por um curto período nos anos noventa (1994-1996). A página literária Texto e Diálogo, por si dirigida, surgiu neste jornal nos anos oitenta. Coordenou, com José Correia Tavares, o jornal Loreto 13, da Associação Portuguesa de Escritores. Coordenou ainda a revista de cultura e pensamento, Boca do Inferno, editada pela Câmara Municipal de Cascais. Está ligado às principais organizações portuguesas de escritores – Associação Portuguesa de Escritores, Pen Clube Português, Centro Português da Associação Internacional dos Críticos Literários e Associação Portuguesa dos Críticos Literários de cujos corpos sociais faz ou fez parte. Integrou os júris dos principais prémios literários portugueses. Participou, com comunicações, em congressos e encontros de escritores realizados em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente: Havana, Neptun (Roménia), Nuoro (Sardenha), Lyon, Madrid, Valsini (Itália), Roma, Ripi (Itália), Maputo e Natal (Brasil). Fez parte das comissões executivas do II Congresso dos Escritores Portugueses (1982), I Congresso dos Escritores de Língua Portuguesa (Lisboa, 1989) e Colóquio da Associação Internacional dos Críticos Literários, (Lisboa, 1994); juntamente com Salvato Teles de Menezes, foi comissário para a literatura na Bienal da Utopia, (Cascais, 1997).
Foi integrado na representação portuguesa que se deslocou, em 2000, ao Salon du Livre, de Paris, por iniciativa da editora L’Inventaire, e no qual foi apresentada a versão francesa de Era a Revolução (C’était la Revolution), livro a que o jornal Le Monde se referiu elogiosamente. Como tradutor, Júlio Conrado verteu para português D. Carlos I, Rei de Portugal, do escritor francês Jean Pailler (2002) e traduziu do francês Isabel de Portugal, Princesa da Borgonha, de Daniel Lacerda (2009). Enquanto autor, alguns dos seus trabalhos estão traduzidos em alemão, francês, húngaro, inglês e grego.
A sua obra está referenciada em: Dicionário da Literatura, org. Jacinto do Prado Coelho, actualização de Ernesto Rodrigues, Pires Laranjeira e José Viale Moutinho; Biblos, ed. Verbo; Dicionário Cronológico dos Autores Portugueses, PEA / Instituto Português do Livro e da Leitura; O Grande Livro dos Portugueses, Círculo de Leitores; A Enciclopédia, Verbo / Público, Projecto Vercial (Internet). Figura com um pequeno ensaio na antologia organizada por Eugénio Lisboa, Estudos sobre Jorge de Sena e a sua obra é referida em Outros Sentidos da Literatura, de Duarte Faria, A Paisagem Interior, de José Fernando Tavares, Verso e Prosa de Novecentos, de Ernesto Rodrigues, Ficção Portuguesa de Após-Abril, de Ramiro Teixeira, Breves & Longas no País das Maravilhas e Itinerário, de Annabela Rita, Arca de Gutenberg, de Serafim Ferreira e Ensaios de Escreviver, de Urbano Tavares Rodrigues. Eduardo Lourenço menciona Era a Revolução no livro de ensaios O Canto do Signo. A maioria das comunicações que apresentou em congressos da A.I.C.L. está publicada em versão francesa na revista desta organização internacional de críticos literários, sedeada em Paris. Escreveu prefácios para livros de José Jorge Letria, Salvato Teles de Menezes, Luís Souta, Ana Viana, José d’Encarnação, Jorge Marcel e Paulo Alexandre. Colaborou com depoimentos no catálogo alusivo aos 50 anos de vida literária de Fernando Namora, nos volumes A David e A Sophia com que na morte dos poetas o Pen Clube Português os homenageou, no livro Leituras de José Marmelo e Silva, organizado por Ernesto Rodrigues, e com um balanço literário no catálogo do Instituto do Livro para a Bienal de S. Paulo de 1992. Em 2008 foi publicado o livro de carreira De Tempos a Tempos, trabalho que cobre quarenta e cinco anos de vida literária e constitui uma bem documentada panorâmica da sua obra, na qual são de salientar textos da autoria de alguns dos mais importantes críticos e ensaístas literários do seu tempo, tais como Fernando J. B. Martinho, Manuel Simões, Manuel Villaverde Cabral, Jorge Listopad, Annabela Rita, João Gaspar Simões, Ramiro Teixeira, Duarte Faria, João Rui de Sousa, Serafim Ferreira, Maria Estela Guedes, Maria Fernanda de Abreu, Pires Laranjeira, Ernesto Rodrigues, José Fernando Tavares, Cristina Robalo Cordeiro, António Augusto Menano, Liberto Cruz, Eugénio Lisboa, António Cândido Franco, Luísa Mellid-Franco, José do Carmo Francisco, Appio Sottomayor, José Viale Moutinho, Urbano Tavares Rodrigues e J. C. Vilhena Mesquita, entre outros.
Obras de Júlio Conrado:
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