Divulgamos esta iniciativa da Câmara Municipal de Oeiras pelo seu inegável interesse, bem como pela originalidade e diversidade das temáticas abordadas. As inscrições podem ser efectuadas no próprio sítio abaixo indicado:
Temos previstas uma série de iniciativas, até ao final de 2021, das quais passamos a dar conhecimento. Queremos chamar a melhor atenção para o facto de algumas dessas iniciativas estarem, por razões que são do conhecimento, sujeitas a inscrição prévia.
Como habitualmente, essa inscrição deverá ser feita exclusivamente através da nossa caixa de correio:
Tradicionalmente o surto do movimento grevista em Portugal é apontado no ano de 1872. Porém, um ano antes, em 1871, despoletou em Oeiras uma greve assim descrita por Eça de Queiroz, em Uma Campanha Alegre: «Este mês a opinião preocupou-se com o que se chamou a greve de Oeiras. Parecia realmente indecoroso que Lisboa, já civilizada, com teatro lírico e outros regalos de capital eminente, não tivesse esse chique social – a greve! Oeiras, com uma dedicação amável forneceu-lhe esta elegância. Oeiras deu a greve. Os nossos estadistas puderam ter ocasião de comentar a nossa última greve, e de falar no terrível proletariado”.
Há 150 anos, em novembro de 1871, 53 tecelões da Fábrica de Lanifícios do Areeiro, em Oeiras, iniciam uma greve, protestando contra a diminuição do vencimento, por imposição do proprietário, para fazer face à concorrência estrangeira. O patrão, José Diogo da Silva, impõe um salário baseado na produção dos tecidos, mas as contas entre o patrão e os operários não são as mesmas, dado que todo o trabalho de preparação da teia, indispensável para a produção do tecido, não era contabilizado pelo patrão. Os tecelões calculam uma diminuição de 30% do salário, enquanto o patrão estima essa diminuição em apenas 10%.
Esta greve, que dura um mês e seis dias, vai ser notícia nos jornais da capital – sendo que uns, como o “Diário de Notícias”, colocam-se do lado dos operários e outros, como o “Jornal do Comércio” e o “Eco Americano”, chegam a insinuar que estes estão a ser manipulados por forças estrangeiras com motivação política. Provoca a solidariedade dos operários da região de Lisboa, que promovem iniciativas com vista à angariação de donativos para os seus companheiros de Oeiras, mas, sobretudo, a greve vai provocar a falência da direção do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, que será substituída por outra de cariz mais virado para o apoio aos trabalhadores, contribuindo seguramente para o desfecho positivo do movimento grevista do ano seguinte em todo o país.
Localmente, a greve impulsiona a consciência de classe com a criação em Oeiras de associações de carácter mutualista, artístico e de resistência, como a Sociedade Cooperativa 19 de Dezembro (data do termo da greve), a Associação de Socorros Mútuos de Oeiras e a Associação Socialista 18 de Março (data da Comuna de Paris).
Assim, Oeiras foi pioneira e esteve, no final do século XIX, bem à frente na defesa dos interesses dos trabalhadores.
(NOTA IMPORTANTE – Lamentamos muito, mas inscrições para esta iniciativa já se encontram encerradas, devido à grande quantidade de inscritos registada e às limitações de espaço do museu e do transporte)
Vamos, por fim, poder dar início às nossa iniciativas previstas que, por razões consabidas, temos mantido adiadas.
Assim, propomo-vos, já para o próximo dia 27 de Novembro (sábado), um passeio até ao Museu Berardo, em Estremoz, em companhia de José Meco que nos guiará através da excelente exposição «800 Anos de História do Azulejo».
Do programa constará, também, um almoço típico. Ementa:
Pão, azeitonas, paio e queijo Creme de Legumes Bacalhau à Manjar com Migas de Coentros Carne do Alguidar com batata frita e arroz Salada mista Água, Sumos, Vinho da casa Doce ou Fruta Café
E, pela tarde, até à hora de regresso (17 horas) teremos ainda alguma «surpresa» prevista, actualmente ainda em fase de apuramento logístico.
A deslocação far-se-á de autocarro, com ponto de encontro e de partida no parque de estacionamento das Galerias Alto da Barra, pelas 07h30.
A inscrição deverá ser feita exclusivamente através de mensagem para geral@espacoememoria.org, até ao dia 15 de Novembro. Por favor, indiquem nome completo, data de nascimento e número de BI ou de CC, para efeitos de seguro de viagem.
Recomenda-se a leitura integral do cartaz em anexo, para informações relacionadas com a Covid-19.
Ontem, dia 23 de Outubro, integrando as iniciativas da Festa Passa a Palavra, em Oeiras, o nosso associado João Paulo Oliveira brindou-nos com um marcante momento de boas canções, de que deixamos aqui breve apontamento, com o tema Canção para o meu amor não se perder no mercado de concorrência, com letra de Manuel Alegre e música de Joaquim Campos.
Corria o ano de 1583 quando o tabelião Luís Bulhão certificava o contrato de aquisição de uma quinta em Laveiras, por parte de D. Luís de Almeida, cavaleiro de El Rei, a D. Jerónimo Lobo, tutor de Miguel de Almeida.
O novo proprietário havia feito fortuna nas ilhas do Golfo da Guiné. Bem relacionado, casara com Simoa Godinho, “parda” de nascimento, descendente dos primeiros povoadores de São Tomé, senhora de fazendas de produção açucareira e de grande número de cativos africanos. O tráfico negreiro não lhes era estranho. Conflitos sociais ocorridos nas ilhas em meados do século XVI, fizeram o casal instalar-se na capital, manejando a partir daí os seus negócios que incluíam investimentos fundiários no reguengo de Oeiras.
Em 1603, já falecido o casal, na presença do representante do julgado de Oeiras, é confirmada a entrega da quinta de Laveiras aos cartuxos, mediante acordo entre a Ordem adquirente e a Misericórdia de Lisboa, executante do testamento deixado por Dona Simoa e aberto em 1594, no dia imediato à sua morte.
Só a vontade régia de Filipe I e a intervenção papal permitiram aos monges brunos a posse da quinta e a instalação do Mosteiro. Das “cabanas” iniciais ao imponente cenóbio joanino, decorreram fases construtivas e alterações sucessivas, seguidas do restauro, após o terramoto de 1755, atribuído a Carlos Mardel.
Em 1833, temendo a aproximação das tropas liberais, os monges abandonam o Mosteiro de Nossa Senhora do Vale da Misericórdia. Com a extinção das ordens religiosas e a expropriação do património, recolhidas parte das obras de arte, o edificado e a quinta são vendidos a um particular e, posteriormente, perdidas a favor do Estado.
No final da década de 70, do século XIX, iniciam-se as obras de construção do Forte de D. Luís, em Caxias, no terminus do Campo Entrincheirado de Lisboa. O Palácio Real passa a sede do Governo Militar e a Cartuxa é transformada em caserna para instalação de sapadores em serviço no complexo militar que rodeava Lisboa.
Segundo notícia no “Diário Ilustrado”, de 27 de Julho de 1880, no início da adaptação da igreja e sacristia em habitáculos militares, um oficial avisado faz uma descoberta macabra de ossadas abandonadas em cubículos e capelas. Também são referidos dois caixões com os corpos do bispo do Funchal e do bispo do Porto que foi, também, Patriarca eleito de Lisboa e Govenador do Reino. Terá sido grande a impresão dos povos em redor com o estado intacto dos corpos dos eclesiásticos ainda paramentados.
O oficial responsável pelo quartel improvisado, com a colaboração da administração do Concelho, procedeu à transladação das ossadas que estavam dispersas para o cemitério de Oeiras, acorrendo a população e o clero local em sentida homenagem processional. Já, segundo a notícia, os corpos dos prelados permaneceram encaixotados nos seus cubículos. Quando solicitada a intervir, a Câmara alegou falta de verba. Por seu turno, a administração central não se manifestou, talvez porque estivesse ocupada com a substituição do governo. No entanto, a Câmara lá aceitou ceder o terreno para o enterramento. Também o clero e os militares manifestaram disponibilidade para colaborar no transporte e acompanhamento dos féretros dos bispos. Mas não. Acabou por faltar a vontade e a decisão de pagar as depesas capazes de conferir as honras fúnebres devidas a tão altos dignitários.
Vem este artigo a propósito do trabalho de pesquisa arqueológica que, certamente, irá acompanhar as obras de limpeza, de “reabilitação” e de restauro do complexo adentro da cerca. Na verdade, as ossadas dos monges cartuxos, tradicionalmente enterradas no chão do Claustro Maior, e o destino dos corpos dos eclesiásticos, devem motivar uma investigação documental que, por certo, também a CMO não deixará de fazer.
Os séculos de história do Mosteiro e a presença posterior do Instituto de Reeducação, fundado pelo Padre António de Oliveira, no início do século XX, clamam por uma intervenção, que se espera cuidada e atenta, por forma que os actuais e vindouros visitantes compreendam a importância do lugar. Com efeito, só temos que augurar os melhores resultados dos trabalhos agora iniciados, tanto mais que em 2018 a DGPC já procedeu à abertura do processo de classificação do Mosteiro e da Igreja, conforme solicitação da CMO em 2017.
- Dia 19 de Janeiro, 17H30 – De João Coutinho: Inauguração da exposição de Pintura - Colecção do DINO (João Coutinho), por ocasião das comemorações dos 60 anos do Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ). Local: Taguspark, Avenida Dr. Mário Soares, nº 35, em Porto Salvo. Esta exposição carece de marcação prévia de presença, o que deverá ser feito através do seguinte email: conselhodeadministracao@isq.pt. Esta exposição permanecerá patente ao público até data indeterminada.
Do nosso associado Rogério Pereira, recebemos o seguinte convite, que muito nos apraz registar e para o qual chamamos a vossa melhor atenção:
Nos dias 10 e 24 de Março e 5 de Maio, pelas 10 horas, no Teatro Nova Morada, em Paço de Arcos, terá lugar a apresentação da peça de teatro intitulada «Quando a cabeça não tem juízo – o futuro é que paga», de cujo texto é autor Rogério Pereira com encenação de Nuno Loureiro. Estes espetáculos foram financiados pela CMO no âmbito do Programa EDUCA+.
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